Esses cupins são popularmente conhecidos como “cupins de solo” ou “cupins de parede”. No ambiente urbano, a espécie que causa mais danos ao homem é a Coptotermes gestroi, também tratada por Coptotermes havilandi por outros autores. Essa espécie é originária da Ásia e foi introduzida no Brasil nas décadas de 20 e 30, provavelmente através da chegada de cargas contaminadas aos portos brasileiros ou por meio de infestações nos próprios navios que aportavam em nosso litoral.

Os cupins operários de Coptotermes gestroi são os indivíduos mais numerosos da colônia e podem viver até 5 anos. Esses indivíduos apresentam coloração creme e são maiores que os soldados, que, por sua vez, atingem aproximadamente 5 mm de comprimento. Os cupins soldados dessa espécie são caracterizados por suas mandíbulas de pontas finas e recurvadas. Eles possuem coloração alaranjada e são bastante agressivos. Quando ameaçados, expelem uma secreção esbranquiçada a partir de uma glândula da cabeça.

A rainha pode chegar a 2 cm de comprimento e possui o abdômen exageradamente grande, devido ao desenvolvimento do aparelho reprodutor. Ela pode viver até 15 anos e quando morre é substituída por outra reprodutora derivada de uma ninfa. Assim, uma mesma colônia pode permanecer ativa por muito tempo. As colônias de Coptotermes gestroi geralmente são enormes, podendo abrigar até um milhão de indivíduos.

Os ninhos de cupins podem ocorrer em paredes de construção, sem contato direto com o solo, ou podem ser subterrâneos. Eles são formados por uma mistura de fezes, saliva, solo e partículas de madeira.

Danos causados por cupins subterrâneos

Esses cupins merecem bastante atenção, uma vez que infestam madeiras e derivados de celulose, como papel e papelão. Eles atacam paredes e pisos, podendo danificar tomadas, interruptores. Os ninhos são construídos em meio ao reboco das paredes e tijolos e seus túneis podem acompanhar pequenas reentrâncias e até mesmo conduítes por onde passam as fiações elétrica e telefônica.

Esses cupins subterrâneos são disseminados para outros lugares por meio de transporte de peças contaminadas ou através de revoadas que foram novos reis e rainhas aptos a desenvolver uma nova colônia.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

Identificação de um foco de cupins subterrâneos

Para se identificar um foco de cupins subterrâneos, deve-se procurar indícios como:

• Túneis de terra, presentes nas paredes das construções;
• Restos de solo e fezes nas peças de madeira infestadas;
• Presença de asas de reprodutores alados;
• Presença de túneis em árvores infestadas em locais próximo à construção;
• Verificação de locais propícios, como vãos estruturais da construção, paredes duplas ou lajes duplas.

 

 

  CUPIM SUBTERRÂNEO 

São indivíduos de vida social, assim como as abelhas e as formigas. Por serem seres de vida social, existem as três castas sociais:

  • casta dos operários 

  • casta dos soldados

  • casta dos reprodutores.

Casta dos operários: são responsáveis por alimentar a colônia. Saem do ninho com alimento (celulose), vindo a atacar a celulose e transforma-la em sacarose através de protozoários no seu sistema digestivo, que faz a quebra de carbonos, transformando celulose em sacarose regurgita a sacarose para alimentar a colônia.​

Estes indivíduos forragem uma área de até 800 metros do ninho principal, são responsáveis por o concreto, alvenaria, tijolo etc.

Casta de soldados: indivíduos que acompanham os operários onde estiverem e sempre estão prontos para protege-los, atacam qualquer invasor, eles possuem mandíbulas salientes e fortes. Junto com a mandíbula, liberam secreção esbranquiçada (uma espécie de ácido) para atacar. Não se alimentam de celulose, apenas de sacarose do operário.

Casta de reprodutores: são os indivíduos responsáveis, somente pela reprodução da colônia. Existem sempre um rei e uma rainha que copulam, podem ter 10.000 ovos por dia e vivem cerca de 18 anos. A rainha tem o seu abdômen desenvolvido 15 vezes maior que o seu corpo, tornando-a uma maquina de por ovos. Os casais reais são monogâmicos, ou seja, não trocam de parceiros. Se o rei ou a rainha adoece ou morrem este casal é retirado e substituído por um novo casal, chamamos de casal de substituição. 

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                    ALELUIAS/ REPRODUTORES DE CUPINS SUBTERRÂNEOS

 

A chegada da primavera é acompanhada de dias belos e ensolarados, mas também traz aqueles bichinhos chatos que ficam voando em torno da luz durante  o anoitecer. O que nem todos sabem, no entanto, é que as chamadas aleluias ou siriris são na verdade os reprodutores( reis e as rainhas das colônias de cupins), e muito mais do que apenas incomodar, eles podem iniciar uma infestação pelas: residência, árvores, prédios, terrenos, jardins etc...

As aleluias ou siriris são atraídos naturalmente pela luz do luar, mas como estamos no meio urbano, a luz com maior disponibilidade, são as lâmpadas de postes de luz, casas, apartamentos, etc... pela radiação ultravioleta, onda de luz emitida pelas lâmpadas que não é percebida pelos olhos humanos, mas que serve de ponto de referência para o acasalamento dos insetos, que em voos nupciais, onde o macho encontra a fêmea, caem no solo e formando o início de um termiteiro. 

Explica Francisco Zorzenon, diretor do Laboratório de Pragas Urbanas do Instituto Biológico do Estado de São Paulo que eles vivem de 25 a 30 anos e, ao contrário de outros insetos, mantêm o mesmo parceiro até o fim da vida ou seja, são casais monogâmicos, . Além disso, as fêmeas podem colocar de 30 a 80 mil ovos em um único dia, diz ele.

Uma pista de que os siriris podem estar iniciando uma colônia de cupins é a presença constante das asas desses insetos em um determinado ponto da casa. Eles não copulam no ar, mas se encontram no ar para começar uma colônia onde se livram das asas e procuram algum móvel ou solo para procriar. Se você perceber este tipo de indício, é bom ficar atento.

A única maneira de prevenir a entrada das aleluias em casa é colocar telas em portas e janelas ou mantê-las fechadas. Nas áreas externas, também é possível colocar um tipo de luz anti-inseto, que emite menos ultravioleta e atrai menos siriris, recomenda Zorzenon.

A presença desses bichinhos, no entanto, não indica necessariamente que a casa está infestada ou que os cupins criarão uma colônia no lugar. Em geral, as rainhas iniciam uma colônia no solo, colocando sempre os primeiros ovos de operários, pois são os indivíduos  que vão alimenta-la. Esta colônia se forma sempre no subsolo, terrenos, jardins, lajes entulhadas abertas e/ou locais que contenham substrato. Quando a colônia formada chega a uma residência, por exemplo,  inicia-se o ataque e ao mesmo tempo existe a procura no local para se certificar de que haverá condições de estabelecer uma sub colônia ou acampamento. Além disso, existem siriris de outras espécies de cupins, e muitos deles não atacam residências, somente a madeira. 

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